Pedacinhos de silêncio

- para o meu irmão Ricardo...
 
Regressarei ali onde nos afogamos nos cânticos 
Longínquos de amor tão alegóricos, tão eufóricos
Ancoramos ali a dor silente que estóicos reportamos
Numa noite breve renascida fiel e ressarcida
 
Nesta metamorfose de nós, alimentemos as
Luminescências sensuais chuviscando na agilidade 
Do teu ser altruísta e consensual
O resto que ficou …é só uma saudade teórica e pontual
 
E quando as palavras rolarem ladeira abaixo desgovernadas 
E alimentadas pelos barbitúricos apelativos que ingerimos 
Mal adormece a noite...nós sedados, insurrectos, fecundos
Embebedamo-nos neste fado que ressoa emblemático e censurado
 
Em cada mágoa arrebatada pendendo das memórias acirradas
Morre um pedacinho de silêncio olvidado sem expressão
Arrumado na biblioteca dos meus lamentos em reclusão
Prostrados perante a noite que se esfuma amputada de uma
Palavra fiel e corroborada
 
FC
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