Poesia Visual

Noite de chuva - Dilúvio

E um pássaro livre de asas pretas tapou o céu
Como se todos os anjos da guarda descessem aos subterrâneos
E a noite cantou em negro o dilúvio de chuva de prata
Como se um coro de fogo de artifício tombasse na terra
E as trombetas nas muralhas tocaram rodos de água
Como se anunciassem o arrasto do vento longo e frio
E as mãos frias de coração quente caminharam entre enormes poças
como se os pés seguissem pegadas de sonhos concretos
E as quedas nas vestes saturadas esvoaçadas abanaram

Alinguagem

Começar,
Fontes nas horas perdidas horas nas fontes;
Horas de fontes perdidas fontes de horas;
Noto tudo neste abismo neste tudo noto.

As Fontes: verdadeiro ou falso;
As Horas: números;
O Abismo: números;
O Abismo = a 0+14.

Começar,
Se as Fontes são > do que verdadeiro então
Começar as Horas = a 7.
Escrever (Fontes (Horas +1)).
Fim,
Fim.

Começar,
Se as Fontes são = a falso então
Começar as Horas = a 0.
Escrever (Fontes (Horas -1)).
Fim,
Fim.

Ser Poeta

Ser Poeta

Ser poeta! É amortalhado viver

Desflorando, a brancura do pergaminho

Com a angústia, do seu eterno sofrer

É deambular! pela pela madrugada sozinho.

Ser beijado pela lua, até o dia nascer!

Citar a sua essência bem baixinho

Para a maldita deixar de doer

É abraçar! O âmago do seu tormento com carinho.

Sonhar bem de mansinho!

Com a paixão, que tanto queria ter

É mirrar em cada arfar, por pura miragem ser.

Percorrer o gasto caminho!

Cravando a fogo todo o seu entender

lagrima

De todo líquido de olho seco de pólvora

Irrigam emoções, lavas coração, do mar salgado bombeia motivo sincero.

Entre artérias movimentas corpo vivo, rosto ruborizado vivido, emoções nos olhos secos da Pólvora da Guerra

Todo líquido irriga lágrimas. 

 

Casa Gama

Tu já viu aquilo,
 
que nunca mais vi,
 
em nenhum, nenhum, nhum, lugar?
 
                         nhum,
 
                          hum,
 
                          hummmmmmm!
 
 
Até parece que você anda meio desnudo?
 
Ausente de motivos fúteis,
 
                   motivos que tornam,
 
um grande motivo dinamizado pelo desdém!

aqui desta janela

Aqui desta janela
Que fica no primeiro andar
Vejo passar o andrajoso,
Coxeando e estendendo a mão
Para que lhe concedam uma esmola
Mostrando os dentes podres que lhe restam
Com um sorriso aberto

E na esquina do lado esquerdo
A Dona Rosa que vende um ramo de flores
E dá outro para que não lhe sobre
Para que não morram nas suas mãos

Pages