Saudade

DÓI-ME TANTO

DÓI-ME TANTO
 
Dói-me o cansaço que trago em mim
Dói-me a obrigação de reviver a dor
Dói-me o suicídio nostálgico imposto
Dói-me cada passo que dou sem fé
Dói-me o pesar que me tolhe a voz
Dói-me não amar como desejo amar
Dói-me a ilícita dor que me consome
Dói-me este ópio agarrado à minha pele
Dói-me os sonhos levados pelo vento
Dói-me os castigos que a vida me tem dado
Dói-me este combate desigual todas as noites

DISSOLVEU-SE

DISSOLVEU-SE
 
Dissolveu-se o amor
Num tempo que nutria-se a alma
Entre o cantar das cigarras
Na pacatez dos campos de trigo
Aconchego das mãos já velhinhas
Na esperança de belos sorrisos
No rosto enrugado pelo tempo
De uma rara beleza sem fim
Sonho acordado de amor
Como o ventre da minha mãe
Onde se dissolvem os versos
Na voz de encantada poesia minha.

POR ENTRE

Entre uma porta e outra
Se esconde um sentimento sem fim
Uma dor que dilacera sem cor
Num sombrio vazio 
De desesperados encantos escritos 
Num verso sem dor
Mundo triste entre a saudade 
Que vai sentindo dentro das letras
Que formam palavras no espaço do silêncio

Na estante

Costumava estar fora de si,
não é assim como todos se sentem em relação a vida,
seguir a correnteza e contar com a sorte?.
 
Mas já não há tempo!
Ao levar as coisas desta maneira,
percebi, naquela noite, 
o quanto tolo fui por todos estes anos...
 
Preso a correntes, que aprisionam a todos.
Não tenho medo da morte,
mas existe alguma meta, neste momento?
 
Posso pegar sua mão?
Quando você precisar,

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