Surrealista

Largo dali

Passou mais um dia onde até de tempo são feitas as lendas
A mais um padeiro que de manhã faz notáveis merendas
Mais um dia ao lado do nada que fica no largo dali.
 
Nesse nada de largo com casas sem tormentas
O cuco falso do relógio dá na parede umas horas lentas
A mais um relojoeiro que perdeu um parafuso pois vive no largo dali.
 
Passou mais um dia ao lado do nada que fica no largo dali
Já sem espera, sem gosto e desgosto, sem queixume ou ardume

A IMPIEDADE

A IMPIEDADE

Num bairro simples na periferia da Capital Vitória-ES, mora uma família humilde, simples e temente a Deus.

O casal já está na terceira idade, um pouco cansados com tantos obstáculos que a vida lhes proporcionou. 

Há vinte e quatro anos,  eles moram na mesma rua, no mesmo bairro e cidade.

Esse casal viu muitas crianças nascerem, crescerem e também morrerem  cedo por se envolverem com coisas erradas.

Murmúrios

nos murmúrios das estrelas está contido o amor

no novelo dos dias que vamos enrolando cuidadosamente

há uma atração fatal que se desenha

o fim do princípio

o meio de vários fins

há grandes encontros nas explosões de cor

o novelo enrola-se e não tem fim, a vida vai-se tecendo,

o que parecem pequenos bocados de fio, incoerência aparente

Olhar

Subo as escadas de um tempo que não chora, apenas é. Um ponto no horizonte reflete a luz de um caminho percorrido. Há gestos que permanecem na memória daquilo que é apenas sonho. Fecho os olhos por instantes e sonho que sonho, vibro no azul do céu e do mar, a natureza e o ser, simbiose perfeita, enrolada nas ondas do pensamento que se fixa no olhar que não é, no olhar que vem de dentro, na suavidade das nuvens de algodão, cujo branco contrasta com o dourado do sol. Assim é, assim foi e assim será.

Irrealismos

É no irreal que se sente o que não está, na invisibilidade, a alma é livre, a cristalização da natureza morta coloca o infinito nas asas do desejo, vôo que vôo, sinto que sinto, milhões de partículas quânticas levam o pensamento para longe, lá onde não se vê para contar, mas a liberdade, essa, nunca desaparece.

Ilogismo

que é do fio condutor quando se parte, talvez matéria talvez arte...

profundamente se ligam os elementos mais sólidos que no universo existem, sobrevivem ao calor e ao frio, como se do nada viessem

as partículas de sol brilham no escuro, a lua brilha no claro

Fugir de mim

Nas promessas de vida breve encanto. encontro. quero fugir de mim e do pesadelo. lá está, já fui, já era, tu, magnífica catedral de luzes sem fim, brilhas tanto que dói olhar. é assim o sonho, é assim a primavera. estás a seguir-me? pergunto sem resposta. percebes o fio condutor? será que o há, ou será só a corda indefinida dos pensamentos ilógicos. dói saber do medo, mas sem medo não há vida. quero fugir mas não sei para onde. para o teu cheiro, murmuram-me as criaturas invisíveis. para o teu cheiro... tão doce que apetece mergulhar.

Pages