Ensinamento do dia

Ensinamento do dia
 
Resolver o problema do mundo é compreender sua infinita multiplicidade resolutiva, sua inviabilidade de univocidade, seu insustentável contorno como real. O trabalho para se desprender do controle e gerir coletivamente as múltiplas e coadunantes, inquisidoras e metamorfas ideias de coexistência, de coerência e englobamento, as quais se apresentam como unidades em si mesmas, dissolvidas na inter-relação, dentro do círculo que se estenderá em uma espiral de florescimento indeterminável, de trato constante e cuidar infindável, leva ao estarrecimento e a surpresa da magnitude e da simplicidade da resposta. Verdades e ideais são sementes que não germinam, atrofiam o contato ao estagnar o percurso. O ponto que harmoniza é a consideração e a comunicação, sempre desbravadora, nunca territorial, sempre calorosa, cordial e generosa, que respeite e aceite, mas para além de tudo, conviva e auxilie a diversidade de ambos a gravitarem sem colapsar, a sentir e simpatizar, convergindo, confluindo e se sustentando mutuamente, cada qual e cada todos, como inseparáveis, invaloráveis e insubstituíveis. Em repouso universal pela liquides da existência, como um barco sem furos, rachaduras ou sabotagens desnecessárias. A turbulência dos horizontes não precisa ser internalizada e reproduzida como cópia da naturalidade da aniquilação, mesmo que existam todas as cores e todas as musicalidades, a paz do silêncio e do incolor, pontuado ocasionalmente e propositalmente por ruído ou sangue, não de maneira estabanada e divina, que reina sobre as cinzas dos castelos de areia, mas como manutenção e sobrevivência, como resposta que não responde, que estabiliza, mas não governa, que segue sem guiar e que guia sem seguir, de mãos dadas com o conflito e braços abertos com a reconciliação. Quando o problema não for um problema e a resposta não for uma resposta, quem sabe haja humanidade como tanto se almeja.

 

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