Então enquanto chove...

Então enquanto chove
 
as palavras desprendem-se no vazio
 
pingando no destelhado zinco das tristezas
 
Ausentam-se no frio da noite em chuviscos de
 
amor  varrendo as solidões numa subtileza
 
de palavras sufocantes expostas no currículo
 
do tempo assim…tão aliciantes
 
 
 
Então enquanto chove
 
até as lágrimas em silêncio
 
vertem cada soluço da alma refém
 
absorta no vai-vem da vida declinando
 
a cada raiar de uma brisa se decompondo
 
num sussurro breve, seduzido…ao abandono
 
 
 
Então enquanto chove
 
te ofereço a madrugada por inteiro
 
Exalo todos os perfumes do dia
 
nascendo na eloquência de um beijo
 
sorrateiro
 
Promulgo toda esta saudade que perdura
 
açoitando a memória de um verso galante
 
e torrencial que ofereço com ternura
 
 
 
Então enquanto chove
 
Os gestos de outrora são a lúdica
 
paisagem do teu ser que abordo
 
em cada hora guardada no túmulo
 
do tempo loucamente disperso
 
num sonho que recordo
 
 
 
Então enquanto chove
 
é tempo de escutar os ventos espremendo
 
suas nuvens até pingar em nós todo o imenso
 
e licoroso aguaceiro que desaba no silêncio
 
unânime,transladado…qual incenso
 
 
 
É tempo de conceber a vida numa pareceria de odores
 
perfumando a lassidão destas estrofes dotadas de uma
 
inspiração quase crucial
 
Pintar um desejo intemporal recriado no design deste
 
poema embelezado com as hormanas de toda a
 
estética que me é apaixonante e essencial
 
FC
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