O que eu tenho para propor...

 
O que eu tenho para
 
propor...
 
 
O que eu tenho para propor...
 
Se... Não posso propor!
 
O que que eu tenho para propor?
 
A insegurança?
 
A não crença?
 
A crítica profunda?
 
A imprevisibilidade?
 
Como propor algo que não posso propor?
 
E por que motivos não posso propor?
 
Por amor?
 
Sim!
 
Eis um motivo redentor...
 
Então, o que farei?
 
Falarei?
 
Criticarei o incriticável?
 
Defenderei esta liberdade que desejo?
 
Como falar sobre o sagrado?
 
Como falar sobre o divino?
 
É correto abalar a fé dos que amamos?
 
Esta luta já é perdida, digo já!
 
Lutar contra?
 
Não! Não! Não!
 
Sou pequenino e cheio de dúvidas...
 
Sou alguém que não lhe prometo,
 
não faço promessas!
 
Esqueça...
 
Estou aqui em luta?
 
Desassossegado ser que eu sou...
 
Pois amo e convivo com quem acredita!
 
E não quero que deixem de acreditar no que
 
creem...
 
Mas, sei que esta lógica imperativa,
 
esta em mim. é minha, foi herança dos
 
filósofos, dos poetas, dos não religiosos,
 
dos cientistas... Esta em mim...
 
Ó crítica nada mágica!
 
Ó pensamento pulsante!
 
Eis um instante...
 
Vou falar, vou escrever...
 
Espero que não leiam, estes próximos que amo!
 
Vida breve que passa...
 
Pessoas que amamos vemos morrer...
 
Deus não fala!
 
Muitos homens falam e dizem que é Deus
 
falando por eles... Através deles...
 
Texto sagrado que manda matar!
 
Pregação que que mata a lógica!
 
Distorção e negação do real!
 
Justificação do injustificável!
 
Acreditar no indemonstrável!
 
Júbilo no sofrimento daqueles que não
 
acreditam como eles acreditam?
 
É, com certeza é, muitíssimo mais fácil,
 
acreditar, ter fé, pois viver a busca do saber
 
é complexo, diverso, trabalhoso,
 
incompreendido, inseguro e talvez, indigno...
 
Então:
 
 
O que eu tenho para propor...
 
 
 
 
 
Imagem - arquivo pessoal:
 
serra do rio do rastro - Santa Catarina -
 
Brasil
 
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