Tenacidade do dia. Gato.

Tenacidade do dia. Gato.

Era barro, era água. Ei Gato, é cerâmica?
Renovação. Os pelos enlameados cobriam as patas. Natureza. As patas enlameadas cobriam as formas. História. As formas enlameadas cobriam as concepções. Ei Grilo, adivinhe o problema?
É transição? É transição, não é? Tenho certeza que é! Tenho sim, tenho muita. Sua relação atritou as pernas produzindo um barulho de empolgação na vibração diversa do ar.
Realoca. Miou a Gato. Pega o fenômeno. Pega com força, espreme bem a explicação e solta, e gera os princípios e as ideias. É plástica.
As antenas oscilaram. Verdade? Verdade, verdade? É sistema intelectual do universo?
É trinca no molde. Ronronou distraído. Uma matéria dotada de origem em direção a tudo. É vaso sem fundo. Olhe o fundo! Vê o fundo. O que vê no fundo.
O verde escarlate da manhã se aproximou curioso. Vejo um milagre. Contra a luz não vejo nada, contra as sombras não vejo nada. Mas vejo um milagre, um milagre sem fundo, uma possibilidade tornada efetividade. Estou certo? Estou certo não estou?
Com a firmeza dos olhos fendidos o Gato piscou. Oscilações com bases teóricas. Contra fatos apenas fatos podem se sobrepor. Isso é ciência, isso é história noturna. No encanto de dentro da maravilha tem uma curva que leva do impossível ao ilusório.
Posso entrar? Posso entrar oleiro mestre? Deixe-me entrar!
Pois entre. É ocasião para uma intervenção divina.
O Grilo adentrou a laca da seiva. Uma dilatação cobriu seus globos como ocorre dentro do crível e do obscuro. Me sinto bem! No ponto do giro da roda a Gato aplicou o revestimento da realidade do significado. Agora existe, agora pertence ao mundo, ao barro, ao forno da terra.
Na materialização dos conteúdos se comprimi o dogma dos possuidores de fronteiras arbitrárias, consegue escrever?
Consigo. Respondeu o novo deus. Molde minha pele de considerações e crenças. Desejo um suporte de real descritivo.
Pois bem. O oleiro girou a roda, a roda girou o oleiro. O vaso se fez digno no entendimento, o entendimento se fez digno no processo contínuo do gradual giro dos paradigmas. As determinações são livres. A mudança é a ética da moral nos conceitos limítrofes que criam explicações das coisas. O Gato construiu o conhecimento de deus.
Sou vaso sem fundo!
É Grilo. Concordou A Gato. Seus signos escamam sua epicutícula representativa. Na magia astral teu nome é tua experiência. Como espirito do mundo é objeto de conciliação.
Posso ter imposturas intelectuais como o universo? Posso lutar no discurso sobre a dignidade astrológica de essências intercambiáveis? Afirmar que tenho necessidades subjetivas orgânicas teleológicas? Posso ter uma finalidade eficiente e uma estrutura arcana de funcionamento?
O Gato balançou a cabeça afirmativamente. O macro do micro é um cosmo. Agora é um simpático ao análogo dos seres, seu criador e sua criatura, é a influência própria do ente, o próprio mapa dos diagramas das relações decifradas no fígado dos deuses. Suas leis regem o universo. Es a plena fisiologia da morfologia, es até mesmo a morfologia da fisiologia.
Ambos apreciaram por um instante a grandiosidade da obra.
A Gato esticou os músculos cansados, eriçou os pelos do corpo e relaxou em harmonia com a frequência tonal das vibrações. Sentiu um fisgar profundo, um ímpeto fantasmagórico de seus instintos mais íntimos. A vontade em ação de profusão, o controle do segredo e dos laços de sua profissão e de seu nome. Com um tapa brusco e delicado, arremessou o vaso Grilo ao chão, onde este craquejou em pedaços como todo bom deus.
Como todo bom oleiro, contemplou toda a sua criação, e eis que tudo era muito bom. Um necromante do convencional.

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