ROSA SILVESTRE INDIGENTE

ROSA SILVESTRE INDIGENTE

 

Nasceste no campo sem ser desejada no tempo,

Entrelaçada numa silveira como uma serpente,

Sem que alguém te olhe, com olhos de gente,

Pois deitas um perfume que a todos faz frente,

E inala-se um aroma que perdura no tempo.

 

Mas continuas enrolada na silveira, sem jeito de gente.

Com medo de seres mulher, seres liberdade,

Quando muitos te querem ter ou desejar,

E outros tantos te tentam possuir, selvaticamente,

Sem que lhes desses motivos ou razão para tal,

São ladrões que te querem tirar o teu néctar,

O teu perfume, semblante e coroa Real.

 

Te colocam em ramos como uma princesa,

Na mesa como enfeite de realeza,

Mas não passas de uma rosa agreste,

Que nasceu e cresceu no campo,

Enroscada numa silveira com espinhos e indigente.

 

(Carlos Fernandes)

 

 

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