MANICÔMIO DA POETISA

Uma vez alguém me disse
Que parece que eu morri
E esqueci de me enterrar.
Eu sou a poeta viva-morta
Ou a morta viva,como quiserem!

Eu não tenho um amor,nunca tive,
Eu não tenho saúde,nunca tive,
Já nasci com o corpo podre
Pronto para ser desprezado por ninguém,
Pronto para não ser percebido por todo mundo
Pois nem mesmo ninguém
Teria a caridade de me perceber para depois me desprezar,

E lá........

Qualquer um,menos eu,
Qualquer um tem um amor,menos eu,
Nesses dias vi até um mendigo
E uns adolescentes de catorze anos
De mãos dadas
Com a pessoa amada.

Agora estou presa no manicômio
Onde habitam doentes incuráveis
Com todo tipo de males

Vegetando no inconsciente miserável
Do desprezo desse verso abominável.
Nada me consola,
A não ser a esperança
De que um dia irei embora
Para um lugar que não tem volta.

Farta de humilhação
Afogada nesse mar de solidão
No meu céu não há estrelas,
Há apenas rejeição,
Eu sempre perdendo quem amo
Me sentindo pior que um cão

Velho,leproso,pobre e acabado
Abandonado na escuridão.
E a vontade de manter minha cabeça baixa
Por ser sempre chamada de mal-amada

Entra em guerra com a luz que me chama do alto
Mas que pode cegar meus olhos
Com a falsa ilusão do brilho do dia
Que sempre termina.
Presa nesse manicômio
De doentes incuráveis
Com o olhar mais triste do mundo
Espero a hora da minha viagem.

JM JAMILA MAFRA
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